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Mais que biológico
  
Não mais que biológico, um ocaso de paixão
acomoda-me o pulso. O suor então disseca em mim
o que insiste de prazer póstumo de amor.
Lentamente, retomo alguma noção de espaço,
que ignorava tão ciente, ainda há pouco.
As células já não me fogem em crise:
aquietou-se a química de te querer...

Eu te creria um jugo infame, amor,
não fosse a fé que alimento.
E te desprezaria como uma superstição,
como um filho ingrato a sua mãe,
não fosse todo o pendor, por dentro,
de computar-me aos seus apelos.

(1990)
 
 
 
 
 

Rodrigo Vaz © Poesia Alguma   2017     Sobre os Direitos Autorais