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O saltimbanco
  
É comum aos homens, não aos poetas,
a habilidade inata de sentir isso e aquilo,
comoção específica de quem se crê viver.

A nós, mais que aos ascetas,
é procura incerta de estéril júbilo,
uma certeza insana, sem razão de ser.

Sim, porque o poeta, este saltimbanco gramatical,
nada é, senão, o pior charlatão.
Ora Camões, Pessoa ou Bandeira,
veste-se de amor com mentira tal,
que os que trai, julgam-no, de coração:
-“É um laço que retém a paixão por inteira!”...

O poeta só sente o que tinge a caneta.

(1990)
 
 
 
 

Rodrigo Vaz © Poesia Alguma   2017     Sobre os Direitos Autorais