POESIA ALGUMA

Resiliência

O verdadeiro querer
É um rochedo cujo peito rasga o mar
Que o açoita sem descanso
Árvore que se ergueu contra o vento
Que lhe rouba as folhas velhas
Ave que se despenca no abismo
À caça do sustento da prole
Paz que nem o insulto mais ignóbil
Lhe tira o repouso

A vida dança um fado estranho
Sacode-nos um solavanco sem dó
Nos rouba os sonhos mais caros
O tempo sopra longe o ouro e o pó
Oxalá meu querer a tudo resista
Pois o pássaro ignora se haverá alimento
Ao longo do dia
Mas isso não o impede de cantar
Toda manhã

 

Rodrigo Vaz © Poesia Alguma 2017 - 2023

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